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UM MÊS DEPOIS…

UM MÊS DEPOIS…

Foto Sandro Cabral  #eucorropontocom

Se você pode sonhar, você pode fazer. ( Walt Disney).

 

Em maio de 2016 decidi que queria ser Maratonista. Desde então sonhei com este momento, no inicio parecia ser um sonho ousado, distante…
Desde então coloquei algumas metas, estabeleci prioridades e iniciei uma caminhada rumo os 42,195 km.
Meu desejo desde o incio foi correr a Maratona, terminar bem e continuar correndo. Ouvimos constantemente relatos de pessoas que acabam lesionadas, traumatizadas e não era isso que queria.
Em meio a essa caminhada, houve muito aprendizado, vitórias, sorrisos, frustrações, lagrimas e sem duvidas muitas amizades.
Na verdade quando resolvemos correr uma Maratona, impossível correr sozinha, sonhar sozinha. As pessoas a sua volta e até mesmo pessoas que não conhecemos acabam sonhando correndo junto (ainda me emociono ao lembrar).
Durante os três meses de treinos específicos para Maratona, foram 786 km percorridos, muito malabarismo para conciliar família, trabalho, amigos dieta e os treinos.
Mas quando desejamos muito algo, o universo conspira e nosso dia as vezes tem 48 horas.
Neste período de preparação participei de algumas provas, e faltando 28 dias para a Maratona, torci meu pé, em uma prova de 5km. Uma prova noturna,e no dia estava chovendo. Por fatalidade pisei em um buraco e torci o pé. A consequência foi estiramento dos extensores dos dedos do pé, o que me deixou 2 semanas sem treinar. Tornozelo muito inchado e muita dor, com dificuldades de pisar no chão.
Não acreditava, depois de tudo, todo empenho, por bobeira corria o risco de não conseguir correr a Maratona.
No dia que cheguei na fisio,chorei muito, ele nem precisou dizer nada, só o jeito de me olhar, sabia que ali precisa ter muita fé. É o que fiz. Trabalhei minha mente, aumentei minha fé, e com empenho do meu fisioterapeuta Marcio e personal Guilherme, (o qual sou muito grata aos dois) não mediram esforços para que em um curto espaço de tempo eu estivesse recuperada,minha Coach Marcia Rafael me dando todo suporte, uma verdadeira força tarefa que deu certo.
Faltando 12 dias para Maratona, fui liberada para fazer um trotinho de 15km. Me emociono de lembrar deste dia, correr sem sentir dor, correr com esperanças renovadas, a cada km me lembrava de tudo que já havia passado para chegar ate ali, me via cruzando a linha dos 42,195 km, ali naquele treino não tive mais duvidas que essa Maratona seria minha. Fui voltando a correr, e continuei com treinos.
Neste período, recebi tantas mensagens de apoio, incentivo, isso é o esporte, une, transforma. Toda essa energia me fez tão bem, pessoas amigas, pessoas que não conheço, enfim todos torcendo muito pela minha recuperação, todos sonhando comigo os 42,195 km, é algo grandioso.
Ahh, e o dia estava chegando, malas prontas, tudo pronto vamos partir em busca da realização do sonho.
Voo programado para dia 15.06 às 5h. Acordei as 3h feliz da vida, família foi me levar no aeroporto, 4h estava lá. Aquela alegria contagiante, muitos amigos corredores de Maringá estavam indo. E não podia ser sem emoção (rsrs) por problemas na aeronave, nosso voo foi cancelado, a companhia nos segurou no aeroporto, só saímos de Maringá às 12h. Sim foram 7 horas de atraso. “Viva histórias para contar”.
No final deu tudo certo, chegamos cansados, mas bem.
Na sexta aproveitamos para passear um pouco, no sábado era dia de descansar, corpo e mente, pois o grande dia estava chegando.
E como a emoção as vezes fala mais alto, depois do almoço do sábado, me bateu um desespero, agonia, ansiedade tomou conta. Não sei explicar o que aconteceu, o que senti. Só chorava. Não quis sair para jantar, não queria conversar, queria ficar sozinha, aquele momento só seu, estava assim. Comi um lanche, e fui deitar às 21h. Dormi um sono profundo, acordei 0h olhei celular tinha uma mensagem de áudio da minha filha e do marido, desejando boa sorte, e dizendo que tudo daria certo. Meu coração se encheu de alegria, as lagrimas caiam. Dormi, acordei novamente na madrugada, olhei celular, muitas mensagens desejando boa sorte. Cada vez mais meu coração se enchia de alegria e otimismo. As 3h o telefone toque, recepcionista do hotel dizendo que estava na hora.
Acordei bem, confiante e determinada, havia chegado o dia, 18 de junho de 2018, o meu dia, dia de me consagrar MARATONISTA (estava escrito, e ia acontecer).
No caminho para o local da largada o taxista começou a ficar nervoso, pois muitas ruas estavam fechadas, ele estava preocupado como faria para chegarmos la. Mas chegamos… com bastante antecedência. Chegaram mais amigos, estávamos em uma turma grande, descontraído. Tiramos muitas fotos, vimos o sol nascer… E chegou a hora, a turma foi se espalhando, ficamos eu e mais dois amigos Flavio já maratonista e o Luiz que assim como eu estava estreando.
Quando fomos para largada, já tinha muita gente, então conseguimos um espacinho mais a frente e pulamos a proteção (sempre com muita emoção rsrs), largamos bem na frente, naquele momento uma mistura de sentimentos, euforia, o medo do desconhecido, difícil descrever.  Um filme rapidamente passa a mente, tudo o que me levou até ali, relembrei o que alguns amigos experientes havia medito, lembrei das mensagens de apoio e incentivo, da minha família, e me lembrei da frase: “ta escrito, vai acontecer”…. enfim eu tinha a certeza que iria conseguir, eu chegaria correndo, andando mas chegaria.
Foi dada a largada, sai com os amigos e ainda Corremos juntos por alguns trechos, depois acabamos nos separando.
Já sabia que os primeiros seriam com muito sol e a paisagem não tão bela como o restante do percurso. .
No km 14 havia uma orquestra tocando “Asa branca” uma emoção tomou conta de mim, as lágrimas, me vi em lágrimas, chorando muito e as pessoas a minha volta olhando meio sem entender. Senti ali a presença do meu pai, foi muito forte e me emociono ainda de relembrar.
Chegando no km 21, pensei estou iniciando agora (faltava mais 21km), estava me sentindo bem, sem dores e confiante, pensei vou manter pra chegar bem.
A partir do km 30 foi pesando as pernas ali comecei a correr com a cabeça e com o coração.
Um filme passava na minha cabeça, me lembrei das coisas boas que me aconteceram até ali, mentalizei o meu desejo, o meu sonho, assim fui seguindo.
Passando por Copacabana o (pior trecho) perdi todas as minhas forças, sentia muita sede, fechava os olhos, tentava limpar a mente, focar apenas nas passadas, mas não conseguia, pedia a Deus para que chegasse logo hidratação, mas nada. Pedi a um casal que estava assistindo e estava com uma garrafinha na mão “pelo amor de Deus me dê um pouco de água”, tomei e prossegui, ainda com muita sede.
Mas à frente ouvi alguém gritando meu nome, um sentimento de proteção quando eu vi alguém conhecido, não estava sozinha, o Bruno (amigo que foi para correr os 21km) ali parecia uma miragem, ele ali e com uma garrafa de água na mão, estava vazia, mas ele saiu correndo atrás de água pra mim. Continuei correndo, não sei por quantos km ou metros, não faço ideia, mas parecia uma eternidade (Bruno obrigada, você foi um anjo que Deus enviou) ali estava no limite, não tenho palavras para explicar, muita sede. Ele ainda me acompanhou por um tempo, prossegui a sede continuava, alguém ofereceu coca cola, lembrei que me disseram que era bom, tomei deu um gás, parece que o corpo respondeu na hora, continuei, mais animada, e do nada me deu tontura, só me lembro de um homem me oferecendo mel, aceitei, chupei dois mel, me deu mais energia continuei, logo à frente hidratação, “UFAAA”.
Um fôlego e chegou km 40, ali a emoção tomou conta, as pernas pesadas, a cabeça pensava você consegue, dá um gás tá terminando. Tentava correr mais rápido não conseguia, hora pernas respondiam, hora não. Uma briga corpo e mente. Faltando poucos metros para terminar, fechei os olhos e fui, a mente ganhou e parecia flutuar. Ouvia as pessoas gritarem, vai você consegue, abri os olhos via as pessoas sofrendo, tentando vencer aqueles poucos metros que faltavam. É tudo muito rápido, uma força tomou conta de mim e como uma águia atravessei o portal completando minha primeira Maratona, e foi incrível ao atravessar senti tão forte a presença da minha família (dessa vez eles não estavam ali).
Quando desliguei o garmin olhei do lado e vi que tudo foi como eu sonhei.
Uma emoção muito forte tomou conta, um sentimento que não sei explicar. Foi intenso foi uma experiência única, me senti tão viva.
Na chegada encontrei um amigo, Sandro Cabral, lembro que fui ate ele dei uma abraço, o qual me trouxe conforto e sensação de proteção, neste momento a emoção é tão forte, é um momento difícil de descrever com palavras… busquei a medalha, procurei um lugar para sentar, encostei em uma arvore, liguei para meu marido, desliguei olhei a medalha e desabei a chorar. Sim eu consegui, agora sim sou uma MARATONISTA, foram 4h07’36 para percorrer os 42,195 km mais sonhados, mais desejados da minha vida.

Gratidão a Deus pela oportunidade de viver uma experiência maravilhosa, experiência tão intensa.
Encerrou – se um ciclo, e ali mesmo iniciou -se outro. Novos sonhos.

 

Essa Maratonista sonhadora é a Fabiana Tirapelli Teramatsu, mas prefere ser chamada apenas de “Fabi” (@fabi_correndo),  38 anos, casada com Fernando, mãe da Gabi de 8 anos, Gestora de Pessoas, que transformou sua vida depois dos 34 anos. Mudou totalmente seu estilo de vida, descobriu uma paixão pelo esporte e amor pela corrida de rua.

 

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